quarta-feira, 7 de outubro de 2009

CURITIBA BILÍNGUE EM 2014

A Copa de 2014 deverá legar às cidades que vão sediá-la uma infra-estrutura invejável, porém não serão metrôs, avenidas, estádios ou hotéis as melhores oportunidades geradas pela megacompetição. Por ter-se colocado no circuito da Copa, Curitiba terá a chance de dar um salto cultural definitivo, tornando-se a primeira cidade bilíngue do Brasil.

Haverá uma chuva de recursos para os projetos destinados a dar suporte à Copa do Mundo. E que suporte pode ser mais significativo que esse? Temos 4 anos para ensinar Inglês a 100% dos curitibanos envolvidos com a recepção aos turistas - nos hotéis, restaurantes, táxis, shoppings, bares e pontos de informação. No clima da Copa, um mutirão daria fluência na língua estrangeira a 100% dos estudantes e professores do ensino Fundamental, do ensino Médio e das Universidades. Finalmente, nos desafiaríamos à meta ousada, porém possível, de 80% dos curitibanos falando Inglês.

Noutro dia, em uma palestra sobre tradução, assisti a vídeos inacreditáveis dos chineses aprendendo Inglês. Eles se convenceram de que esse é um caminho viável para os negócios e para a ascensão social, e lançaram-se em multidões ao estudo, em escolas, nas ruas, nos clubes, nos estádios, em todo lugar. Imagine o que a China, que já é uma potência assustadora, será capaz de fazer na Economia com grande parte da sua população falando Inglês.

Imagine o que ficará, para Curitiba, após a Copa de 2014, se tivermos conseguido nos tornar uma cidade bilíngue. Será uma alavanca incomparável para a globalização dos nossos negócios, para a qualificação dos nossos estudantes e trabalhadores, para a emancipação de mais de 1 milhão de pessoas.

É possível, vale a pena - fazer de Curitiba a primeira cidade bilíngue do Brasil.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Preços insustentáveis

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Mesmo investindo em reciclagem e na unanimidade do discurso (e do marketing) ambiental, os supermercados tropeçam nos detalhes que realmente contam, quando se trata de sustentabilidade. Estes exemplos, colhidos em um supermercado de Curitiba, todos num mesmo dia, mostram a falta de lógica ambiental na política de preços e embalagens.

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O primeiro caso é o da manteiga (marca Aviação). Como você vê nos vídeos, a manteiga na embalagem simples, de papel, está mais cara que o pote de plástico, que dispende maior energia na fabricação e maior dificuldade na reciclagem.
Os potes, que têm formato redondo, ainda são ambientalmente desvantajosos para transportar, pois o empilhamento é menos racional que o da embalagem de ângulos retos.
A política de embalagens e preços envolve a escolha da matéria-prima, com suas múltiplas conseqüências para a sustentabilidade (gasto energético na fabricação e no transporte, impacto no local de extração, disposição do resíduo após o uso etc); envolve as tecnologias de impressão do rótulo, e a possibilidade de reuso (nisso, sim, o pote apresenta vantagem).

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No segundo caso, o mesmo produto, o sabão em pó Omo, a "oferta", além de induzir o consumidor ao erro, favorece a compra de duas embalagens, em vez de uma.

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Repare a embalagem de 1 kg sai por R$ 4,98, enquanto que a embalagem "promocional" de 1,9 kg sai por R$ 9,99. Se o consumidor não fizer a conta, imaginará, naturalmente, que a embalagem maior é economicamente vantajosa, e perderá dinheiro, pois 9,99 / 1,9 = R$ 5,25 o quilo, portanto mais que caro que a embalagem menor. O consumidor que fizer a conta perceberá que é vantagem levar duas embalagens de 1 kg, e portanto levará para casa (para depois descartar) duas embalagens em vez de uma, com evidente prejuízo para o ambiente (novamente na energia para fabricação, impacto na extração da matéria-prima, transporte, custo do recolhimento e da reciclagem - se houver - do resíduo).

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Nessa composição de preços do tira-manchas Vanish, o refil, que remete à idéia de economia, inclusive ambiental, pois permite o reaproveitamento da embalagem que o consumidor já tem em casa, está mais caro que o produto na embalagem clássica, de plástico rígido.

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Se o consumidor fizer a conta, verá que o litro do refil ainda é vantajoso, pois a embalagem tem 70 ml a mais que a convencional, mas se simplesmente comparar as etiquetas, que é o que a maioria faz, comprará a embalagem de plástico.

sábado, 12 de setembro de 2009

Ler devia ser proibido

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A dança mágica dos americanos da Cia Pilabolus

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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Os quatro níveis do jogo da sustentabilidade nos negócios



O que é sustentabilidade para a sua empresa? Esta matéria publicada pela revista da Fiep (2007) resume as quatro posições mais comuns da interface ambiental dos que estão no jogo dos negócios. Clique aqui para ler (a partir da página 30).

(a ilustração é do blog progressoverde)

O custo da falta de ética nos negócios


Sim, existe um custo econômico decorrente da falta de ética. No Brasil, ele chega à casa dos bilhões. Clique aqui para ler a matéria, publicada na revista da Fiep, a partir da página 30.

Reuso de água não é o que parece

Como sempre imaginamos que a tecnologia pode resolver todos os problemas, facilmente defendemos a idéia do reuso de água para combater a escassez.
Porém, em um cenário como o de Curitiba e região metropolitana, chega a ser cínico falar em reuso, diante de tanto desperdício e falta de foco.
Clique aqui para ver por A + B porque a bandeira do reuso acaba dissimulando a gravidade da falta de conservação dos recursos hídricos.
O artigo foi publicado na revista Mediação, a partir da página 9.

(A ilustração é do site Inovação Tecnológica)

Quando temos, não temos

Não existe educação ambiental séria sem o confronto contra o consumo exagerado - em sua expressão comportamental (consumismo) e em sua dimensão política (modelo de desenvolvimento).

Clique aqui para ler o artigo, publicado na revista Mediação. Está na página 40.


(A ilustração é do blog Papo Econômico)

O fim do marketing tiozão

Em 3 anos, as redes sociais desatualizaram o marketing da maioria das organizações. Quem não tem estratégia para a nova Web, está se comunicando como o Tio da Sukita.
Clique aqui para ler a matéria, publicada na revista da Fiep, a partir da página 8.

(Na foto, Tessália Serighelli, a @twittess)

sábado, 29 de agosto de 2009

Movimento Terrorista Dalton Trevisan


No dia em que os postes que têm radar amanhecerem pintados de vermelho, identificados para os motoristas; quando as lombadas eletrônicas piscarem alucinadas suas luzinhas, como nas buates no tempo da discoteca, e os turistas do "Viaje Curitiba" forem desviados para um passeio no Pinheirinho lotado das seis da tarde, nesse dia você saberá: começou a vingança de Curitiba. O Movimento Terrorista Dalton Trevisan, assim batizado à revelia do pobre do vampiro, que, pelo menos da boca para fora, só quer anonimato, estará esperneando contra a completa esterilização da cidade.
As onças de João Turin vão pastar as flores roxas com branco que enfeitam (enfeitam? Deus do céu!) as rotatórias. Os canteiros, simétricos como a disposição dos perfumes em penteadeira de zona, parecerão um mural de Gaudí, de tão remexidos, e a onça estará com torcicolo, como o cavalo do Guernica. A biblioteca do Farol do Saber da Praça da Espanha, construída onde biblioteca já havia, afundará numa acomodação do Aqüífero Karst. Os leitores, livres daquela aberração vermelha, marrom e laranja, terão de volta as honoráveis arcadas da Biblioteca Cervantes.
Nos televisores da vitrina da disapel, o noticiário vai mostrar as barricadas (feitas com sacas de 60 quilos de fubá mimoso) em torno da Rua Riachuelo, a única que os decoradores ainda não maquiaram. Da Alfaiataria Riachuelo, que vende mais coturno para mulher do que para hoem, sairão as fardas e boinas para abastecer os esquadrões de punks entrincheirados na Praça 19. O carteado de pingüim será protegido pelos amotinados para financiar o Movimento (o que sobrar será gasto numa farra no Gato Preto). Oil Man será eleito prefeito provisório e seu primeiro ato oficial será encher de novo o lago do Passeio Público, só que com azeite. Bíblico azeite que servirá para incendiar a cidade caso o pelotão de choque da Guarda Municipal (a única do mundo que tem pelotão de choque) consiga retomar o Cine Scala.
Gilda, in memorian, será eleita Miss Curitiba e os frescos que espulsaram as prostitutas de trás da Praça Generoso serão forçados a comer testículos de touro, com molho, no Bar do Stuart. Sim, porque não se faz uma revolução sem algum revanchismo, e no fundo até lhes fará bem, um pouco de testosterona.
Em cada lojinha da Tiradentes, uma guerra do pente, em cada quarto uma tara inconfessável, em cada página um recorte do Valêncio Xavier, em cada quintal um crime de paixão, a polaquinha seduzindo um japonês virgem, as cafetinas gordas dando entrevista no Bom Dia Paraná, a cidade inteira uma manchete da Tribuna.



(publicado n'O Estado do Paraná em 10 de outubro de 1999. As ilustrações são dos blogs 2.bp.blogspot.com; 4.bp.blogspot.com; .wikimedia.org; naftalina55.blogspot.com)

Celino, o quieto

De Kant, dizia-se que era possível acertar o relógio pelo horário em que ele saía de casa. Celino Frias, morador de Piraquara, não era nenhum filósofo, a metafísica é uma palavra que ele até se atrapalharia para pronunciar, mas também servia de relógio para os vizinhos. Poderia ser apelidado de Cuco, não fosse o horror que tinha ao barulho, ao escândalo, a qualquer forma de quebra da normalidade.
Às 6:45h Celino acordava, às sete ligava o motor do carro, para esquentar, e às sete e quinze saía de casa, chegando à repartição aos dez para as oito. Almoçava sempre no mesmo local, na mesma mesa, na cadeira ao lado da cortina. Jamais ficava de costas para uma janela, para não ser surpreendido por algo que não pudesse ver ou prever, ainda que fosse só uma brisa.
Para os filhos, Celino era quase um fantasma, imperceptível, alguém que pagava as contas, apagava as luzes desnecessárias mas não ficava cobrando isso dos outros. Nunca levantava a voz. Olhava os boletins, mas não exigia notas melhores. A mulher se aborrecia por falar sozinha o tempo todo, mas a certa altura da longa vida em comum compreendeu a índole do marido e tornou-se tolerante. Passou mesmo a ter por ele uma devotada admiração. Na idade madura, estava novamente apaixonada. Sentia-se grata pela vida sem sobressaltos que Celino lhe proporcionara. Defendia-o ardorosamente diante das amigas, que consideravam o compadre um banana.
Ano passado, Celino sofreu um infarte fulminante. Nem combinava com ele, que preferiria uma morte mais lenta, programada, mas essas coisas ninguém escolhe. Foi durante o sono, e pela manhã a mulher o viu tão quieto como sempre, mas estava morto. Decidiu que Celino teria um velório sem arroubos, tranqüilo e harmônico como tinha sido toda a sua vida, e tomou todas as providências. O clima durou até as três da tarde, quando chegou ao velório uma loira fanhosa, com a boca muito pintada, unhas vermelhas e uma saia proibitiva, acompanhada de dois adolescentes com tênis da moda e um ar arrogante. Foi a maior gritaria que já se ouviu em Piraquara, quando a esposa soube que aquela era a segunda família de Celino, que ele, em segredo, mantivera ao longo de pelo menos quinze anos. O caixão rolou na sala e a viúva oficial, ajudada pelos irmãos, arrastou-o até a rua, onde o corpo do falecido foi despejado, em meio a impublicáveis xingamentos. Celino, o quieto, só não foi chutado porque isso é pecado.

(O Estado do Paraná, 6 de fevereiro de 2000. A ilustração é do site chanceapaz.blogspot.com)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Kokopelli do século 21 é água

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Essa animação, que já é um clássico, consegue apresentar o ciclo da água sem o tom moralista que contamina grande parte do material de apoio utilizado em educação ambiental. Vivaz, dinâmica, ela cativa crianças e adultos.
O personagem é claramente inspirado em Kokopelli, a lenda do tocador de flauta dos anasazis, que representa fertilidade e alegria. Esse povo pré-colombiano que habitou o atual Sudoeste dos EUA, de acordo com algumas teorias, chegou à beira da extinção por causa do esgotamento de seus recursos naturais. São os ancestrais dos Pueblos, comunidades fechadas que subsistem, como reservas, principalmente no Novo México.
Kokopelli tem um forte apelo xamânico, com sua figura brincalhona e sua referência à Natureza (as costas encurvadas seriam explicadas pelo peso da colheita, que os anasazis, acredita-se, estocavam em silos). Reeditá-lo como um curupira do Norte, um gurizinho feito de água, atualiza vários aspectos do impasse ambiental que vivemos. Está tudo ali, no subtexto do vídeo: a universalidade da água, o risco de colapso, a simplicidade da solução (em contraste com a complexidade do problema) e a alegria pela oportunidade de desfrutar da vida e do ambiente em que ela prolifera.




(Se ficou curioso sobre a vida dos anasazis, sugiro que conheça as impressionantes construções verticais que eles legaram. Clique aqui para ver o vídeo sobre o Parque Nacional Mesa Verde, no Colorado, o maior dos sítios arqueológicos dessa civilização)

Cony homenageia samba tatibitati de Benjor

No último domingo, o excelente Samba de Bamba, da FM Educativa, de Curitiba, exibiu a seleção dos maiores sambas da história na opinião de Carlos Heitor Cony. Quem diria, Cony tem a maior ginga. Deu uma alfinetada no Jorge Ben, um gênio musical, ao dizer que ele faz "samba tati-bi-tati", mas rendeu-se ao suingue de Chove Chuva, incluindo-a entre as 10 melhores composições do samba em todos os tempos. No vídeo, interpretação de Miriam Makeba.




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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Ilustração para copiar, postar e passar adiante

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Gripe A, pânico e teoria da conspiração


Na região metropolitana de Curitiba, neste fim de semana, houve 38 mortes violentas, das quais 29 por arma de fogo. Uma rodada rotineira de crimes passionais, cobranças do tráfico e brigas de boates (houve até uma briga de mulheres, na base da faca) praticamente empatou com toda a estatística de mortes provocadas pela gripe suína no Paraná desde que começou a pandemia. Seguindo a lógica matemática, as pessoas estão se perguntando por que a gripe A provoca pânico, suspensão das aulas, confinamento voluntário e zilhões de páginas nos jornais, se estatisticamente ela está longe, por exemplo, do horror fatal do crack, que em Curitiba provoca uma onda de assassinatos, ou da perniciosa contabilidade de mortes da desnutrição?
Bem, o pânico não segue a lógica. Ou melhor, segue, mas não a lógica matemática. O que nos aterroriza na Gripe A é que não podemos confiná-la a um gueto. É o mesmo que ocorre com a Meningite, que também costuma provocar reações apavoradas. Embora a violência urbana nos atinja a todos, ela fica mais ou menos restrita a certos grupos de risco social. Se você não vai a botecos da periferia, não se mete em becos para comprar crack, não se envolve em vinganças, tem razões para se sentir distante daquela outra realidade, a que está sempre na capa da Tribuna. Em todo o mundo a desnutrição mata muito mais que a Gripe A, claro, como, aliás, alardeiam os críticos da mobilização em torno do Influenza. Mas você pode proteger seu filho da desnutrição; e da gripe? Trata-se de uma doença que nos iguala, e é isso que nos leva ao pânico. Todas as distinções, todas as barreiras, todas as reservas que estancam os grupos sociais e escalonam seus riscos simplesmente deixam de existir e instantaneamente nos tornamos todos pobres, todos vulneráveis, irmanados no risco. Sim, isso nos devia fazer refletir sobre nossa indiferença.
Imprensa - Os mais lógicos e menos sociológicos argumentam com os números e a teoria da conspiração. Duvido que você não tenha recebido pelo menos 3 emails de gente afirmando a) que a epidemia é muito maior do que se divulga e que as autoridades e a imprensa participam de um complô para esconder a realidade, ou b) que a pandemia de Gripe A na verdade foi fabricada em laboratório e não passa de uma estratégia de uma multinacional para vender remédios. No Youtube, alguns vídeos detalham os números e o encadeamento de fatos que supostamente comprovam essa teoria. Se ainda não viu, clique aqui.
Esses vídeos, como toda teoria de conspiração, em busca de credibilidade, partem de fatos e consensos, como as presumíveis más itenções de George W. Bush, um político satanizado (e que fez por merecer a satanização). Não custa nada ficar com o pé atrás contra Bush, Rumsfeld e os laboratórios multinacionais. Não duvido que fossem capazes de se mancomunar em um plano maléfico qualquer, embora ele não faça muito sentido.
É um exagero supor que um laboratório espalhasse o pânico, com ajuda da imprensa, para vender Tamiflu, cujas compras são principalmente estatais e o uso é restrito aos que já contraíram a doença. Se fosse um remédio preventivo, aí sim, a estratégia faria algum sentido. As vendas do Tamiflu certamente crescerão na medida em que aumenta a divulgação a respeito da gripe, mas não numa proporção que justificasse a campanha denunciada pelo vídeo. Nem o Bush faria isso.
Houve quem fizesse. Muitos meses antes do lançamento do Viagra, um profissional foi contratado no Brasil para "agendar" em toda a mídia o tema da impotência masculina. Diga-se de passagem, ele o fez com muita competência, pois todas as principais revistas trataram do assunto, assim como os jornais, grandes e pequenos, a TV e o rádio. O clima foi preparado, com esse agendamento, para favorecer a receptividade ao novo medicamento.
A teoria do "aggiornamento", ou agendamento, muito conhecida entre comunicadores, na verdade não é uma teoria, mas sim uma técnica para levar a sociedade a discutir este ou aquele assunto. É mais usada do que se imagina, mas seu eventual emprego nesse caso em nada diminui o fato de que a pandemia de Influenza é gravíssima.
Comparações - Um argumento repetido, e aliás muito conveniente para as autoridades, e para mais ninguém, é o de que a gripe comum mata todos os anos até mais que a gripe suína. Mas essa comparação não faz sentido. Em primeiro lugar porque, embora a gripe comum sofra um combate, ele não se compara à mobilização que tivemos contra o novo tipo da doença. É de comemorar que o número de óbitos tenha se mantido num nível semelhante ao da gripe comum! Imagine o que aconteceria se esse combate extremado não fosse realizado. Também é óbvio que a gripe comum, contra a qual todos temos anticorpos, mata somente pessoas que já estão fragilizadas. Como, aliás, deverá acontecer com a própria gripe suína, a partir do ano que vem, quando um grande número de pessoas, após esse primeiro contato com o vírus, já tiver defesas naturais contra ela.
Sempre é bom ficar atento contra autoridades, governos de todo tipo (especialmente do tipo Bush), estatísticas não verificáveis e meios de comunicação de massa. Quem acredita cegamente em qualquer um deles, fatalmente será enganado, mas a pandemia de Influenza, que não é o fim do mundo, também não é uma conspiração.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Manual do Entrevistado


Sempre me perguntam o que uma pessoa precisa saber antes de se expor em uma entrevista. Por isso resolvi publicar essa despretensiosa lista de coisas para serem observadas por quem tem algum tipo de interface com a imprensa. O texto foi utilizado em um treinamento para empresários e dirigentes da construção civil de Curitiba, em 2008, e pode ser útil em diferentes programas de midia training. Fique à vontade para fazer seus comentários.


LEMBRETES PARA ENTREVISTAS

Existem muitos manuais sobre como dar entrevistas, como se comportar diante das câmeras e como melhorar a performance, porém o termo “manual” não é adequado. Melhor seria chamar essas publicações de “lembretes”. São tópicos para os quais o entrevistado deve ficar atento. Eles melhoram em alguns pontos o desempenho diante das câmeras, microfones e gravadores. Muitas dessas dicas são periféricas e só funcionam se forem observadas as virtudes centrais de uma entrevista:

* Conhecimento sobre o tema
* Simplicidade no raciocínio
* Clareza no posicionamento

Esse é o nível 1. Somente a partir dele é possível desenvolver os demais talentos importantes para um bom aproveitamento das oportunidades na mídia:

* Conhecimento sobre o modo de trabalhar da imprensa
* Domínio sobre a fala
* Capacidade de síntese
* Noção e controle do ambiente

Toda entrevista é uma oportunidade de relacionamento que se abre e assim como qualquer outro relacionamento este também pode significar negócios, rede de contato, abertura de novas perspectivas. Essa é a primeira dimensão da entrevista. A segunda é a da imagem pública. Seus pares possivelmente assistam a uma entrevista sua e poderão confirmar as impressões que têm sobre sua personalidade e seu modo de agir. Sua família fará alguns comentários, seus antigos amigos de escola talvez mandem emails ou mensagens no Orkut. A entrevista será para eles um dado a mais na sua imagem. Porém o “público”, aquela massa que não o conhece ou conhece apenas vagamente, esse grupo tende a basear totalmente na entrevista o conceito que formará a seu respeito. Essa breve exposição será fundamental para construir sua imagem pública. É como a história da primeira impressão, a que vale, e nesse caso é uma primeira impressão partilhada por milhares de pessoas.

1 – CONHECIMENTO SOBRE O TEMA

Não basta saber com antecedência qual será o assunto da entrevista; é necessário preparar-se para ele. Antes da entrevista, recuperar informações, recapitular o histórico do assunto, preparar alguns dados objetivos e repassar mentalmente quais as posições da organização a respeito. Se necessário, consultar outros diretores para confirmar as posições coletivas.

Feito isso, “entreviste-se”, perguntando a si próprio tudo o que pode lhe parecer pertinente nesse caso e repetindo as respostas que lhe parecem as mais adequadas.

Habitue-se a ter opinião sobre os temas da sua área. Mas lembre-se de que opinião não é achismo. Poucos se interessarão pelo que alguém “acha” sobre isso ou aquilo. Opinião é argumento, uma tomada de posição a partir de um embasamento forte e consistente.

Sonde o nível de conhecimento do jornalista sobre o tema. Isso é importante para ajustar o seu discurso. Se ele estiver “tateando”, seja didático. Se mostrar ser um especialista, bem informado e muito acima do nível básico, explore aspectos menos comuns do tema. Isso é quase uma garantia de que haverá um bom aproveitamento da entrevista.
2 – SIMPLICIDADE NO RACIOCÍNIO

A genialidade está sempre nas expressões mais simples. Se é Bayer é bom. A Galvão acha fácil o imóvel que você acha difícil. Impossível comer um só. Energia que dá gosto. O primeiro a gente nunca esquece... Não quer dizer que você vai se expressar por slogans, naturalmente, mas sim que é possível resumir muito em pouco texto. Na TV, especialmente, o seu raciocínio deve ser polido, resumido ao essencial, porque o essencial é tudo o que o telespectador poderá assimilar.

Pensar simples às vezes é o mais complicado. As pessoas se acostumam a agregar vários argumentos, explorar cada detalhe. A escola provoca isso, porque prioriza a análise em vez da síntese. Na entrevista, seja sintético, concentre tudo na idéia central e mantenha-se nela.

A resposta não pode ser uma equação, com chaves, colchetes e parênteses, um pinheirinho de Natal. Foque-se naquilo que interessa e deixe os detalhes para outra ocasião.

3 – CLAREZA NO POSICIONAMENTO

Antes de partir para a entrevista, decida qual é o seu lado. O que a organização pensa a respeito. Qual é o ponto. Se isso não estiver muito claro para você e para a organização, não dê a entrevista, pois ela tende a ser desastrosa. Quando estiver em questão alguma culpa, algum erro da organização, assuma a responsabilidade, com bom senso e discernimento. Não exagere ao fazê-lo, não comprometa a organização, porém mantenha a clara idéia de que os compromissos públicos serão respeitados. Já vá para a entrevista com a lista de ações tomadas para sanar o erro.

4 – CONHECIMENTO SOBRE A IMPRENSA

Avalie os jornalistas e as peculiaridades do trabalho deles. Existe um site, o www.comuniquese.com.br, que é freqüentado basicamente por jornalistas e publicitários. Coloque-o nos seus Favoritos e analise o que é importante para esses profissionais quando eles estão em seu próprio ambiente. Outro site interessante é o do Observatório da Imprensa (www.observatoriodaimprensa.com.br), em que os erros da própria mídia são julgados e comentados pelos pares jornalistas.

Sempre é útil conhecer os editores da sua área de atuação nos principais veículos. Quem edita Economia na Gazeta do Povo, por exemplo? E n'O Estado do Paraná? É bom conhecer essas pessoas, estabelecer com elas um relacionamento profissional. O mesmo vale para colunistas especializados.

5 – DOMÍNIO SOBRE A FALA

Não existe “voz ruim” para a mídia. Exceto alguns casos patológicos, que devem ser tratados por um fonoaudiólogo, não existem restrições. Mas é importante lembrar que a TV e o rádio dependem muito da clareza com que falamos.

Diga claramente ca-da-u-ma-das-sí-la-bas. Existe uma tendência de engolir partes das palavras. Lembre-se de que cada sílaba deve ser integralmente pronunciada.

Se estiver um pouco inseguro, experimente falar um pouco mais alto, com mais energia. Isso aumentará a sua sensação de firmeza.

Beba água antes da entrevista. A lubrificação facilitará a fala e evitará aqueles estalos que são ouvidos quando a pessoa está com a boca seca.

6 – CAPACIDADE DE SÍNTESE

Lembre-se do macete “o que quero dizer?” E diga. A idéia desse exercício tão simples é reduzir a mensagem ao essencial. O que quero dizer? É isso, e só isso. Se a situação for complexa, a síntese será ainda mais útil, porque evitará que você abra um flanco a cada detalhe que aborda.

7 – NOÇÃO E CONTROLE DO AMBIENTE

Se vai dar entrevista em um estúdio, procure chegar mais cedo para se familiarizar com o ambiente, a iluminação, o pé-direito, a movimentação e todo o aparato em torno. Se tiver dúvidas, pergunte antes ao entrevistador, com naturalidade. Lembre-se de que não é obrigado, e na verdade nem deve se submeter a uma entrevista se não sentir segurança sobre o que se passa em volta.

Quando for uma entrevista externa, evite ficar perto de ruídos, cenários desfavoráveis, curiosos que poderão dispersá-lo ou pressioná-lo ou desviar a atenção das pessoas, que deve ser focada em você.

Ao falar no ambiente de uma obra, assegure-se de que todos no local usam EPI, não há vazamentos, entulho ou qualquer outra cena que possa falar contra você ou sua organização.

8 – TÓPICOS PRÁTICOS

EU NÃO FALO GRINGO – Procure falar em Português. Palavras incorporadas, como site, não são problema, todo mundo entende. Mas não há vantagem em usar market share em vez de participação no mercado; players em vez de participantes; MBA em vez de pós-graduação... Certamente no seu grupo todos entendem esses termos, mas não é somente para o seu grupo que você fala quando dá uma entrevista.



ORDEM DIRETA – Fale com a lógica mais simples: Sujeito-verbo-predicado, na ordem natural do raciocínio. Inverter as frases é ruim até em textos, quanto mais na fala.



CÓDIGOS - Evite siglas, cifras e termos técnicos.

FALE – Rádio e TV são “falados”. Não queira responder com frases decoradas ou escritas. Isso acaba com a naturalidade.

IDÉIAS FORTES – Marque as palavras centrais para divulgar a sua idéia. Aquilo que é o mais importante na sua resposta deve ser enfatizado. Para isso, você deve treinar antes da entrevista.

SOLUÇÃO – Sempre que a pergunta levantar um problema inicie a resposta com a solução adotada.

ENDOSSO – Não confirme posições que na verdade são do jornalista, não suas.

CLICHÊS – Não use chavões, ditados, frases feitas e clichês. Isso banalizaria a sua fala e o que você pretende é justamente a diferenciação. Cuidado porque algumas dessas expressões não são tão evidentes assim. Por exemplo: Alavancar. Muitas pessoas usam essa palavra em entrevistas, sem constrangimento, mas ela é um tremendo chavão. Correr atrás do prejuízo é outro. A melhor vacina contra essas falhas é o déjà vu: Se você tiver a sensação de que já ouviu aquela expressão várias vezes, não a use, pois esse é o indício de que ela está desgastada. Com certeza você tem a sensação de ter ouvido “alavancar” muitas vezes, não é mesmo?



EDIÇÃO – Fale editado. Se você concentrar o que é importante em uma frase com começo, meio e fim, não será necessário fazer cortes que acabarão distorcendo sua resposta. Geralmente não há edições ruins, mas sim respostas ruins que ficaram piores após a edição.

KINDER OVO – Procure estar preparado para as perguntas-surpresa. Se elas forem comprometedoras, a melhor saída é dizer que não tem as informações ou que precisa verificar e que dará uma resposta logo mais.



SERENIDADE – Não entre em provocações dos jornalistas. Elas não são pessoais, mas sim uma técnica para tirá-lo do sério e conseguir uma declaração mais forte.

SERIEDADE – Não faça gracinhas em uma entrevista. Não faça média com os jornalistas.

PRECONCEITO – Muitas vezes uma entrevista desnuda preconceitos do entrevistado. Vigie os seus, para que eles não acabem passando como idéias de toda a organização.

ESTRATÉGIA – Acostume-se a incluir em todas as entrevistas aquilo que é relevante e estratégico para sua organização. Não se esqueça de pronunciar o nome da organização e os nomes dos projetos envolvidos.

CONSENSO – Nietzsche dizia que só se deve falar sobre o que foi superado, ou seja, quando as coisas estão claras. Se há pontos controversos na organização, eles devem ser debatidos e é necessário definir a posição que irá para a mídia.

VALORES – Seus comentários em uma entrevista não podem, naturalmente, contrariar os valores caros à sua organização. É necessária uma dose extra de responsabilidade ao expor-se em nome do seu grupo. Como pessoa pública você não tem direito a certas liberdades.

SEM GOLEIRO – Propor-se a defender o indefensável é como tentar defender um pênalti com os olhos vendados. Não vai dar certo. Se sua organização passar por isso, as decisões sobre a mídia deverão ser coletivas, moderadas e cautelosas.

CASCAS DE BANANA – Os riscos previsíveis da sua organização devem ser mapeados e uma estratégia deve ser elaborada a respeito deles. Se surgir uma crise, a organização deve agir de acordo com decisões coletivas e o contato com a mídia deve ser centralizado.



NAVIO - Não precisa ficar engessado, mas também não fique balançando o corpo durante uma entrevista. Especialmente não fique trocando o apoio de uma perna para a outra. Pode gesticular, é natural e faz parte da sua expressão, mas não exagere,.

PENDURICALHOS – Se vai aparecer na TV, retire os assessórios dispensáveis, como óculos escuros, bonés, bolsas, canetas no bolso da camisa, celular no bolso do paletó, carteiras que fazem volume na sua roupa etc.


ATENDIMENTO – Educação e cortesia no relacionamento com a mídia contarão a seu favor. Se foi procurado pela imprensa, dê retorno o mais rápido possível. Informe-se sobre a pauta e dê o melhor encaminhamento: passar pela assessoria, definir quem fala e finalmente dar a entrevista. Se você tiver autonomia para decidir por conta própria, reflita rapidamente se vale a pena falar imediatamente ou daqui a 15 minutos. Se possível, ganhe esse tempo para organizar seus pensamentos. Retorne a ligação em seguida. Se a entrevista envolver números ou artigos legais/técnicos, passe-os em seguida por escrito. Coloque-se realmente à disposição para esclarecimentos posteriores.

QUEIXAS – Não fique reclamando da mídia. Isso não é produtivo. Compreenda que a mídia é falha mas é indispensável. Passe a entendê-la como parceira autônoma, que tem seus próprios objetivos mas pode ajudá-lo a conquistar os seus.

RELACIONAMENTO – Cultive relacionamento profissional com jornalistas ao longo dos anos. Isso solidificará sua posição de boa fonte de informações.

ATITUDE – Uma entrevista dura poucos minutos, logo é perfeitamente possível você elevar e manter alta a sua atenção. Fique alerta, mantenha o foco durante toda a entrevista, concentre-se em marcar o gol. Prepare-se, antes da entrevista, para mostrar o melhor de sua capacidade. Não vá para as câmeras com uma atitude displicente. Eleve a energia pessoal, mostre firmeza, clareza, sinceridade.

Boa sorte.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Macunaíma (1969)

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Pálido Ponto Azul

Este é um livro definitivo, um trabalho ciclópico como costumava ser tudo o que Carl Sagan fazia. Um Pálido Ponto Azul é o compêndio da aventura espacial e do conhecimento astronômico, na linguagem de seu maior entusiasta. Sagan foi o mais importante divulgador da Ciência no Século 20 (assim como um amigo dele, Fritjof Capra, neste século) e este livro é um dos seus legados mais duradouros.

Se você não tiver curiosidade alguma sobre o Espaço, leia pelo menos o texto de introdução, no qual o autor relembra os próprios ancestrais e o atavismo que desde sempre leva o homem a migrar. De uma planície para a montanha, do litoral para o interior, de um meridiano para outro, de uma latitude para outra, de um continente para outros e, um dia, desejava ardentemente Carl Sagan, de um pálido ponto azul para todas as galáxias.


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Para onde vai o $$$ dos impostos


Como o governo gasta o dinheiro dos impostos

(o vídeo é americano; no Brasil, consta que a última porcentagem é 20%)

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Você quer seguir ou ser seguido?

Como se sabe, a pergunta "para que serve o Twitter" não faz sentido, já que ele tem utilidades específicas para cada um de seus milhões de usuários. Mas é verdade que a maioria valoriza a oportunidade de falar e ser ouvido. Tanto que os rankings consideram principalmente o número de followers de cada perfil, ou seja, o número de pessoas que lhe dá atenção. A maioria das confusões e intrigas que ocorrem no nanoblog também começa com essa valorização da celebridade cristalizada no número de seguidores (ou, como dizem, numa crítica que acaba somente reforçando o vício, subcelebridade). Ser ouvido é muito bom, mas a utilidade mais valiosa do Twitter é o oposto disso.
Um exercício curioso é fazer um debate entre amigos em círculo, passando de mão em mão, na seqüência do círculo, um objeto (uma caneta, por exemplo), como símbolo da palavra. Só pode falar quem está com a caneta na mão. Experimente e veja como as pessoas simplesmente não conseguem aguardar sua vez para expressar a opinião. Embora a regra seja simples e definitiva, toda hora alguém tenta interromper o que está com a palavra. Somos ansiosos para falar, quando devíamos ser ansiosos para ouvir.
Se invertermos o ranking do Twitter (e por conseguinte os valores dos usuários), veremos que no extremo oposto ao das celebridades que têm audiências enormes estão leitores atentos às tendências. Em silêncio, seguem para ouvir, medir, avaliar, descobrir, formar convicção. Se você é seguido por uma multidão no Twitter, mas não segue ninguém, tem muita visibilidade mas enxerga pouca coisa.