Como se sabe, a pergunta "para que serve o Twitter" não faz sentido, já que ele tem utilidades específicas para cada um de seus milhões de usuários. Mas é verdade que a maioria valoriza a oportunidade de falar e ser ouvido. Tanto que os rankings consideram principalmente o número de followers de cada perfil, ou seja, o número de pessoas que lhe dá atenção. A maioria das confusões e intrigas que ocorrem no nanoblog também começa com essa valorização da celebridade cristalizada no número de seguidores (ou, como dizem, numa crítica que acaba somente reforçando o vício, subcelebridade). Ser ouvido é muito bom, mas a utilidade mais valiosa do Twitter é o oposto disso.
Um exercício curioso é fazer um debate entre amigos em círculo, passando de mão em mão, na seqüência do círculo, um objeto (uma caneta, por exemplo), como símbolo da palavra. Só pode falar quem está com a caneta na mão. Experimente e veja como as pessoas simplesmente não conseguem aguardar sua vez para expressar a opinião. Embora a regra seja simples e definitiva, toda hora alguém tenta interromper o que está com a palavra. Somos ansiosos para falar, quando devíamos ser ansiosos para ouvir.
Se invertermos o ranking do Twitter (e por conseguinte os valores dos usuários), veremos que no extremo oposto ao das celebridades que têm audiências enormes estão leitores atentos às tendências. Em silêncio, seguem para ouvir, medir, avaliar, descobrir, formar convicção. Se você é seguido por uma multidão no Twitter, mas não segue ninguém, tem muita visibilidade mas enxerga pouca coisa.
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